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UJVP transforma espaços de aprendizagem com grafite de Alex Sinicropi

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As paredes deixaram de ser apenas parte da estrutura física e passaram a contar histórias. Na UJVP, três ambientes destinados a atividades de esporte, dança e desenvolvimento infantil ganharam novos significados com a chegada da arte urbana. O muralista Alex Sinicropi foi convidado pela instituição para criar intervenções artísticas na sala de karatê, no estúdio de balé e no espaço do projeto Superando Limites.

A iniciativa surgiu a partir do desejo de tornar os ambientes mais vivos e acolhedores para crianças e jovens que participam das atividades. A ideia era fazer com que, ao entrar nas salas, eles encontrassem mais do que um espaço para praticar uma modalidade: encontrassem um ambiente capaz de estimular a imaginação, a identificação e o sentimento de pertencimento.

A coordenadora de atividades da UJVP, Wisleidia Girão, conta que a preocupação com a ambientação já existia antes da chegada dos murais. No início do ano, ela teve a ideia de inserir uma frase motivacional nas salas para que as crianças fossem recebidas por uma mensagem de incentivo. 

“Ficou bom, ficou legal. Porém, veio a ideia de a gente fazer um grafite nessas salas para poder ficar vivo, chamar a atenção da garotada, para elas sentirem que realmente estão dentro de uma sala de karatê, que realmente estão dentro de um estúdio de dança”.

O convite chegou a Alex Sinicropi, que desenvolveu propostas diferentes para cada ambiente, levando em consideração as características das atividades e o público que utiliza os espaços.

Na sala do projeto Superando Limites, por exemplo, o mural foi concebido a partir das três áreas que estruturam a iniciativa: arte-terapia, música e esporte-terapia. O artista recebeu dos profissionais envolvidos imagens que serviram como referências para a composição e incorporou elementos que representam as experiências vivenciadas pelas crianças.

“Recebi o convite da UJVP para fazer uma arte com referências às modalidades que iriam acontecer no projeto, como arte-terapia, música e esporte-terapia. Cada profissional mandou imagens ilustrativas para servir como base”, explica Alex.

O resultado reúne crianças tocando violão, brincando com bolas e realizando pinturas. A identidade do próprio projeto também foi incorporada à obra, assim como referências ao território onde a UJVP está inserida.

“Tive uma forte influência da localidade. Por isso, incluí a jangada, a praia e o mar”, conta o muralista.

Para Suellen Vasconcelos, coordenadora do projeto Superando Limites, a intervenção artística conseguiu traduzir visualmente a essência da iniciativa.

“O projeto Superando Limites trabalha o desenvolvimento das crianças através do esporte, da música e da arte-terapia. Então, a arte conectou bastante esse espaço. Eu gostei muito das cores, dos personagens e dos elementos utilizados, porque deixou o espaço bem mais alegre, acolhedor e com a identidade infantil, que é essa nossa proposta”.

Nos demais ambientes, Alex adotou linguagens próprias para dialogar com cada atividade. Na sala de karatê, a composição traz dois alunos realizando golpes específicos da modalidade e um personagem em uma reverência característica do esporte. Formas nas cores da UJVP também foram utilizadas para reforçar a identidade visual da instituição. Já no estúdio de balé, a proposta seguiu uma linguagem mais delicada e acolhedora.

“Escolhi uma temática mais delicada e acolhedora, com traços precisos e cores que repassam calma e delicadeza”.

A diferença entre as composições revela uma característica importante do projeto: os murais não foram pensados apenas para decorar, mas para conversar com as pessoas e com as atividades realizadas em cada espaço.

O resultado é uma nova experiência visual para quem frequenta a UJVP. O esporte ganhou movimento nas paredes, a dança ganhou novas referências e o Superando Limites passou a contar com um ambiente mais lúdico e conectado à proposta do projeto.

A iniciativa também valoriza a construção de espaços que dialoguem com o público atendido pela instituição. Com cores, formas e elementos ligados às atividades desenvolvidas no local, os murais passam a integrar a rotina de crianças, jovens e famílias que circulam pela UJVP.